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5 fatos sobre a Ritalina e concursos

O consumo de Ritalina vem aumentando drasticamente com o passar dos anos. Descubra 5 fatos sobre a "droga da inteligência"

Ritalina, considerada a droga da inteligência ou a droga dos concurseiros, ganhou sua fama por aumentar, segundo seus usuários, a concentração, a inteligência e a memorização - aumentando o rendimento nos estudos e no trabalho.

Mas, será que a Ritalina realmente melhora a inteligência, a memorização e a capacidade de atenção em pessoas saudáveis? Será que o uso de Ritalina é aconselhável para quem está prestando concursos públicos ou o Enem?

Pensando nisso, nós resolvemos escrever 5 fatos sobre a Ritalina para acabar de uma vez com os mitos sobre essa droga e revelar suas verdadeiras qualidades.

ATENÇÃO: a Ritalina é um remédio controlado e, como tal, deve ser receitado por um médico.

5. Ritalina: o que é e para o quê é indicada?

Ritalina é o nome comercial, usado pelo laboratório suíço Novartis, da droga cuja substância é o cloridrato de metilfenidato, um estimulante leve do sistema nervoso central, com mecanismo de ação ainda não bem estudado e compreendido, cuja estrutura química é semelhante à das anfetaminas.

Criada na década de 1950, a Ritalina é um medicamento desenvolvido inicialmente apenas para crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O TDAH era anteriormente conhecido como distúrbio de déficit de atenção ou disfunção cerebral mínima. Essa síndrome comportamental também pode ser conhecida como distúrbio hipercinético, lesão cerebral mínima, disfunção cerebral mínima, disfunção cerebral menor e síndrome psicorgânica dos pacientes.

A Ritalina, segundo o Laboratório Novartis, é indicada como parte de um programa de tratamento amplo que tipicamente inclui terapias psicológicas, educacionais e sociais, direcionadas a pacientes que sofrem de severa distração, deficit de atenção, hiperatividade, labilidade emocional e impulsividade. Apesar de ser inicialmente criada para tratar o TDAH em crianças, a Ritalina também pode ser usada em adultos.

Importante destacar que o diagnóstico de TDAH deve ser feito por um médico e em conformidade com as normas inclusas na CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde).

Além de tratar o TDAH, o cloridrato de metilfenidato também é utilizado no tratamento da narcolepsia. Os sintomas de narcolepsia incluem sonolência durante o dia, episódios de sono inapropriados e ocorrência súbita de perda do tônus muscular voluntário.

Em resumo: os usos indicados da Ritalina são para tratar TDAH e narcolepsia em adultos e crianças.

4. Contra-indicações

O uso de Ritalina é contra-indicada em pacientes portadores de:
  • Hipersensibilidade ao metilfenidato ou a qualquer excipiente;
  • Ansiedade, tensão;
  • Agitação;
  • Hipertireoidismo;
  • Distúrbios cardiovasculares pré-existentes incluindo hipertensão grave, angina, doença arterial oclusiva,
  • insuficiência cardíaca, doença cardíaca congênita hemodinamicamente significativa, cardiomiopatias, infarto do miocárdio, arritmias que potencialmente ameaçam a vida e canalopatias (distúrbios causados por disfunção dos canais iônicos);
  • Durante tratamento com inibidores de monoamino oxidase (MAO), ou dentro de no mínimo 2 semanas de
  • descontinuação do tratamento, devido ao risco de crises hipertensivas (vide “Interações medicamentosas”);
  • Glaucoma;
  • Feocromocitoma;
  • Diagnóstico ou história familiar de síndrome de Tourette.

3. Principais efeitos colaterais

A Ritalina pode causar uma plêiade de efeitos colaterais, que vão desde simples dores de cabeça até morte súbita. Dentre os principais efeitos colaterais, podemos citar:

a) Uso da droga durante a amamentação
A Ritalina pode ser repassada da mãe ao bebê através do leite materno. Por isso, deve-se interromper a amamentação ou a utilização do remédio, sempre de acordo com o seu médico.

b) Vício
O abuso crônico de Ritalina pode conduzir à tolerância acentuada e dependência psicológica em graus variados de comportamentos anormais. Ou seja: Ritalina vicia.

c) Ritalina pode causar retardo no crescimento infantil
Tem sido relatada uma moderada redução no ganho de peso e um leve retardo no crescimento com o uso prolongado de Ritalina em crianças.

d) Distúrbios do sistema nervoso (de dor de cabeça à AVC)
O uso dessa substância pode causar dores de cabeça, sonolência, tontura e discinesia., convulsões, movimentos coreoatetoides, tiques ou exacerbação de tiques pré-existentes e síndrome de Tourette. Em casos mais graves, poderá causar distúrbios cerebrovasculares incluindo vasculite, hemorragias cerebrais e acidentes cerebrovasculares (AVC).

e) Problemas de pele (urticária e queda de cabelo)
A Ritalina pode causar problemas na pele do usuário, tais como: erupção cutânea, prurido, urticária, febre e queda de cabelo.

f) Problemas no coração
Foi documentado que a Ritalina pode causar os seguintes distúrbios cardíacos: taquicardia, palpitação, arritmias, alterações da pressão arterial e do ritmo cardíaco e angina.

Como pode se observar, as reações adversas ao uso de Ritalina são variadas e algumas bastante graves. Por isso, nunca é demais repetir: o tratamento deve ser indicado e acompanhado por um médico.

2. Ritalina e concursos públicos: a famosa "droga dos concurseiros"

Como dito anteriormente, a Ritalina foi inicialmente criada para tratar o TDAH. Contudo, com o passar dos anos, este medicamento passou a ficar famoso e ser consumido entre os adultos para os mais diversos fins. Entre essas finalidades está a de melhorar os resultados em provas, concursos públicos e no Enem. Em pouco tempo, a droga passou a ser chamada de "pílula da inteligencia" e "droga dos concurseiros".

A Ritalina chega aos ouvidos dos concurseiros por indicação de amigos e conhecidos que relatam já ter feito uso do medicamento e dos efeitos que ela "traz" durante a preparação. Assim, um número cada vez maior de estudantes utiliza a droga a partir da suposta promessa de melhoria na concentração e atenção durante os estudos e durante as provas.

Como visto, entre os princípios ativos do cloridrato de metilfenidato, está o de potencializar a ação dos neurotransmissores como noradrenalina e dopamina, o que reduz o déficit de atenção em pacientes com TDAH. Isso faz com que a pessoa hiperativa fique mais calma, atenta e concentrada.

Levando essa conclusão a um campo totalmente diferente, a Ritalina, nas mãos de concurseiros, é amplamente utilizada sob a ilusão de que proporcionará mais atenção e concentração nos estudos e, a partir de então, uma maior capacidade de acumular informações em menos tempo, driblando o cansaço e o desgaste e aumentando o rendimento em provas e concursos.

De acordo com o relato de alguns estudantes, a droga proporciona horas a fio de estudo e concentração sem cansaço físico ou mental. Mas, será que isso é verdade? Será que o cloridrato de metilfenidato realmente pode ser usado por concurseiros, universitários e demais estudantes saudáveis? Será que a droga realmente melhora o rendimento nos estudos?

1. Estudo da UNIFESP derruba mito da Ritalina

A Ritalina não promove melhora cognitiva em pessoas saudáveis. Essa é a conclusão de um estudo sobre a Ritalina promovido pela UNIFESP, a Universidade Federal de São Paulo.

De acordo com a psicóloga Silmara Batistela, autora do estudo, o medicamento não beneficia a atenção, a memória e as funções executivas (capacidade de planejar e executar tarefas) em jovens sem o transtorno.

Para a pesquisa, foram selecionados 36 jovens saudáveis de 18 a 30 anos. Eles foram divididos aleatoriamente em quatro grupos: um deles tomou placebo e os outros três receberam uma dose única de 10 mg, 20 mg ou 40 mg de Ritalina. Depois de tomarem a pílula, os participantes foram submetidos a uma série de testes que avaliaram atenção, memória operacional e de longo prazo e funções executivas.

Resultado: o desempenho foi semelhante nos quatro grupos, o que demonstrou a ineficácia da Ritalina em "turbinar" cérebros saudáveis.

Portanto, se você quer passar em alguma prova ou concurso público, o melhor é evitar a Ritalina, a não ser que o seu médico a receite.